Casal Aline e Leandro retornam do intercâmbio na Augustana em Neuendettelsau - Alemanha

Em julho, os estudantes Aline e Leandro Jochen retornaram ao Brasil e aos seus estudos na FLT, após terem passado um ano em intercâmbio na faculdade de Teologia Augustana em Neuendettelsau, no estado da Baviera – Alemanha. Aline e Leandro foram os primeiros estudantes da FLT a participarem do intercâmbio na Augustana, com bolsa da Mission Eine Welt, entidade da Igreja da Baviera e parceira da IECLB, bem como da FLT. Confira abaixo um breve relato escrito pelo casal das experiências.

“Uma experiência totalmente nova! Assim podemos começar descrevendo nosso ano de intercâmbio. Como quase todas as pessoas do planeta, tínhamos estereótipos dos alemães: frios, calculistas, durões, mandões, pontuais, sistemáticos, organizados e limpos. Com essas impressões na cabeça ou no Hinterkopf (como se diz por lá) chegamos à Alemanha. No aeroporto fomos recebidos pelo professor Mülke, o qual nos cumprimentou com um abraço – um tanto estranho – pensávamos. Porém, a partir deste momento “caiu a ficha” de que talvez nossos estereótipos não condissessem. À medida que fomos conhecendo os colegas no campus da Augustana concretizava-se de que precisaríamos mudar alguns conceitos...

A cada dia novas palavras aglutinavam-se ao nosso vocabulário da língua gramaticalmente correta, a comunicação melhorava e as conversas demoravam mais. Quantas experiências! Na primeira aula de Cultura do comer e Espiritualidade (não tem como traduzir literalmente, o nome da disciplina era Esskultur und Spiritualität) o professor da disciplina dormiu enquanto um professor convidado falava. Eu (Leandro) não quis acreditar que o professou dormiu. Mais tarde descobri que o pobre professor tinha um problema de saúde, por isso não conseguia ficar acordado. Essa experiência, mesmo que engraçada, faz-nos crescer juntamente com os acontecimentos negativos, os quais também fazem parte e nos ensinam da mesma forma.

A estrutura! Sim, a estrutura da faculdade permitia espaço muito bom para estudar. As salas eram grandes e havia muitas salas para tudo. Os quartos eram individuais e bem isolados tanto contra o frio como contra o barulho, os quais também eram limpos a cada duas semanas, por uma equipe de limpeza. No refeitório (Mensa Christi) fazíamos nossas refeições: café da manhã, almoço e janta, também nos fins de semana e onde também observávamos o cuidado para não desperdiçar comida. A sala de cópias (sim, salas para tudo) era bem equipada pelas impressoras Martin e Katharina. O acervo bibliográfico é simplesmente gigante, o qual dispõe de livros de todas as áreas do saber e se falta algum livro, este chega em 3 dias! É permitido comer na biblioteca e cada um tem mesa individual para estudo, se quiser. Existe um lugar também para reuniões informais, o chamado centro de comunicação, mais conhecido como bar. A estrutura da escola de formação é grande e muito bem cuidada.

A orientação teológica da faculdade tem um viés mais político. Pela própria história da Alemanha, a teologia é apresentada em um horizonte mais político-social. Tem uma disciplina de história da Igreja sobre Reforma, a qual é lecionada por uma professora renomeada na Alemanha. Ela é coautora da obra das Luther Lexikon, o qual trata das obras do Reformador Martin Luther de forma completa. Foi muito valioso assistir as aulas dessa professora, que se dedicou tanto para a História da Igreja.

Em Neuendettelsau, onde se situa a faculdade, existiu no período da 2ª Guerra Mundial um campo com uma fábrica de munição. Em uma parte desse campo de munição foi fundada em 1947 a Augustana-Hochschule sob o tema: “O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Levíticos 19.34). Para um lugar onde outrora eram trazidos prisioneiros de guerra (poloneses, russos), são formados, agora, teólogos. Também nós e outros fomos para lá, a fim de estudar e enriquecer sua bagagem.

Na Augustana tivemos contato com pessoas de vários outros países, pois outros intercambistas estudavam lá. Assim não conhecemos apenas outras culturas, mas também outras formas de expressar a fé. Com o Dmitri da Ucrânia, Krastu da Bulgária, a Cristina da Romênia e o Bashar da Síria aprendemos um pouco da fé ortodoxa, a qual não temos muito contato aqui no Brasil. Não por último, a Igreja da Baviera, especificamente o Centro de Missão (Mission eine Welt - MEW), o qual nos manteve na Alemanha, tem parcerias em todas as partes do globo. Nas programações da MEW tivemos contato com luteranos da Papua Nova Guiné, Coreia do Sul, Indonésia e Tanzânia, o que foi indescritivelmente enriquecedor para o futuro ministério, mas também para própria vida de fé. Apesar de cada cultura, língua e formação, Deus nos entende como somos e Ele vem até nós!

As estações do ano foram mudando, as quais são bem intensas na Alemanha, e fizemos amigos, não apenas colegas. Éramos chamados de Aline e Leandro e não somente de “os brasileiros”. Foi muito bacana para nós, pois éramos conhecidos pelos nossos nomes e não apenas pela nacionalidade, como estrangeiros, mas como estudantes fazendo parte da faculdade”.

Faculdade Luterana de Teologia - FLT
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