Atividades da semana nacional da pessoa com deficiência 2017

Dia 21-08 -- Conforme a programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, o Professor Rolf R. Krüger abordou o tema na disciplina de Diaconia com a turma Teo08. No final, o professor pediu que cada um escrevesse um parágrafo que condensasse o conteúdo da aula.

Confira abaixo o conteúdo:

A questão da pessoa com deficiência é um assunto que permeia a história da humanidade. Na Bíblia temos direcionamentos sobre o que fazer e o que não fazer com a pessoa com deficiência (Dt 17.18; Lv 19.14; 2 Sm 9) e vemos que Jesus incluía aqueles que estavam à margem da sociedade, como por exemplo no relato do grande banquete descrito em Mt 22. Quando excluímos estas pessoas, estamos excluindo a própria pessoa de Jesus Cristo.
Na história mais recente há várias palavras-chaves que podem caracterizar as diversas fases enfrentadas pelas pessoas com deficiência, como a exclusão, tolerância, institucionalização e por fim a inclusão. Junto a inclusão poderíamos acrescentar a acessibilidade, não apenas no aspecto físico, mas também em aspectos relacionais e de acesso ao “conhecimento”. Temos que ter a consciência de que todos nós temos limites, talvez os nossos sendo em graus socialmente mais aceitáveis. A pessoa com deficiência tem um grau maior de dificuldade em determinado aspecto, mas se for compensado pela acessibilidade, a diferença já não se torna tão grande assim. O que nós podemos fazer é especialmente ouvir e procurar saber da própria pessoa qual suas necessidades e habilidades, ou seja, conhecer a pessoa. E por fim, não esperar apenas por ocasiões especiais, como a Semana da Pessoa com Deficiência, para tratar relevância deste tema.

___

Diante da pessoa com deficiência encontramos o Deus que zela pela integridade da pessoa. Em sua Palavra, encontramos Deus dando ordenanças ao povo e governantes a respeito do cuidado para com tais pessoas (Lv 19.14). Este cuidado é uma forma madura e consciente de lidar com as diferenças, sem excluir, mas valorizá-las. Elas não estavam a parte da sociedade, mas faziam parte dela e o cuidado para com elas era o cuidado para com o próprio Deus. Nele elas tinham seu direito garantido. A pessoa com deficiência não precisa de pena, mas de respeito e acessibilidade diante de suas limitações.
___

Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência o assunto abordado na disciplina de Diaconia foi justamente o cuidado e o olhar que precisamos ter com estas pessoas que ainda hoje são marginalizadas. Pode-se ver que ao longo da história muitas nomenclaturas existiram para se referenciar a estas pessoas. A palavra exclusão, tolerância, institucionalização aparecem como uma referência. Mais tarde, a palavra inclusão teve destaque. Atualmente precisamos compreender o verdadeiro sentido deste termo, pois precisamos pensar para além do incluir pessoas com deficiência, precisamos pensar na acessibilidade, pensando não apenas na deficiência, mas na pessoa individual, com necessidades físicas, relacionais e espirituais.
___

A Bíblia nos traz diversas reflexões sobre o tema da pessoa com deficiência. Exemplos de textos são Dt 27.18; Lv 19.14; Jr 31.8 e Pv 31.8, através desses textos vemos que Deus ama e se preocupa com a pessoa com deficiência. A terminologia mudou conforme o tempo, na antiguidade o termo usado era exclusão, posteriormente usou-se tolerância até chegar a inclusão, o ideal é acrescentar a esta a palavra acessibilidade, mas não pode apenas ficar em palavras, acessibilidade deve ser algo concreto e prático, precisamos tornar as coisas acessíveis em termos relacionais, físicos e de conhecimento. Creio que a primeiro passo é conviver e aprender com a pessoa com deficiência.
___

A bíblia apresenta o cuidado da pessoa com deficiência, demonstra uma obrigação da sociedade para o cuidado à pessoa com deficiência. São obrigações de não prejudicar e de ações ao cuidado. O cuidado não apenas com o dano físico, mas também com o dano moral e com a dignidade humana. Os textos bíblicos dão um salto qualitativo no cuidado às pessoas com deficiência. Atualmente, estatísticas demonstram que existe um número considerável de pessoas com deficiência, contudo, aonde estão essas pessoas que não as vemos em nossas comunidades? Jesus incluía aqueles que estavam a margem da sociedade, descriminalizadas. A questão de não deixar esquecidas as pessoas com deficiência se cumpre no ministério de Jesus Cristo. Hoje, em um primeiro momento é importante ouvir, conhecer, estar ao lado, faz-se necessário perguntar a limitação e necessidade da pessoa com deficiência para que ela não seja excluída por pressupostos que carregamos e por não conhecermos a realidade das pessoas com deficiência. Pessoa com deficiência é uma pessoa, não é menos nem mais, é igual.
___

A temática da pessoa com deficiência aparece diversas vezes na Bíblia. Há diversos textos que determinam o tratamento devido a essas pessoas, proibindo-se os maus tratos e fomentando o cuidado. O ministério de Jesus Cristo foi fortemente marcado pela inclusão, pelo movimento em busca dos excluídos e marginalizados. Dentre estes, encontravam-se cegos e pessoas com deficiência física, que eram excluídos da sociedade e até mesmo dos ritos religiosos. Ao realizar curas, Jesus reincluía essas pessoas na sociedade e sinalizava a sua participação no Reino de Deus. No entanto, as comunidades cristãs nem sempre estão atentas para essa necessidade. Precisamos fazer o movimento para além da exclusão ou da mera tolerância, promovendo a participação e a inclusão da pessoa com deficiência, estando atentos para suas necessidades e limitações, respeitando e valorizando suas habilidades e dons.
___

A palavra diaconia expressa muito bem a responsabilidade social da igreja, sendo esta o serviço à mesa, ou ministério do servir At 6.4. Nessa perspectiva podemos nos ocupar com o tema da semana; a pessoa com deficiência. Rebuscando alguns fundamentos do Antigo Testamento observamos que as deficiências eram resultados constatados no nascimento, como também, resultados de guerra. Seja por uma ou outra forma, estes estavam a margem da sociedade e eram munidos de uma responsabilidade social, ou seja, a sociedade tinha a obrigação de cuidar destes. (Cf. Dt 27.18; Pv 31.8). Do Antigo Testamento para a atualidade podemos seguir uma linha breve a respeito do processo de preocupação e responsabilidade a respeito da pessoa com deficiência, processo este que inicia com a constatação da exclusão – a pessoa com deficiência não faz parte da nossa sociedade “perfeita”, que por sua vez leva a uma tolerância – tolerar mas não se envolver, há uma conquista, mas não uma mudança de mentalidade, cujo o problema é terceirizado, ou seja, institucionalização – entende-se que há uma necessidade a ser suprida e portanto, criamos lugares a parte para que cuidem desse “problema”, o qual passa por uma reforma que visa a inclusão – aqui nos encontramos. Em suma devemos entender que todos temos limitações e, portanto, devemos buscar a acessibilidade, relacional, física e de conhecimento de todos aqueles que não o podem fazer.
___

A inclusão rompe com o tabu e com o medo do diferente gerando vínculos. No entanto o problema deste conceito está no fato de que inclusão pressupõe a existência de um indivíduo a parte do grupo, que não se encaixa no “normal e correto”. Mais valioso que o conceito de inclusão é o conceito de acessibilidade. Esta possibilita condições de acesso iguais a todos, seja acesso físico, relacional ou ao conhecimento. Acessibilidade pressupõe um igual que merece possibilidades equivalentes. Quando a deficiência é suprida, a exclusão e a inacessibilidade cessam.
___

Ao longo da história, pessoas com deficiência ocuparam lugares marginalizados na sociedade. Deficiência significava exclusão. Com o passar do tempo, essa situação foi mudando aos poucos. Tentou-se enxergar a pessoa com deficiência pertencente a sociedade, e não mais como alguém excluído dela. Em nossos dias, há várias frentes que lutam pela inclusão de pessoas com deficiência. Entretanto, a mentalidade das pessoas ainda não mudou radicalmente. Vemos isso com o próprio uso do termo “inclusão”. Quando falamos em inclusão, já estamos pressupondo que há exclusão. Passamos a ideia de que pessoas com deficiência são um grupo diferente, que está a parte. Por esse motivo, a palavra acessibilidade é um termo chave nessa questão. Se faz necessário garantir que a pessoa com deficiência possua acessibilidade física, relacional e “ao conhecimento”. Somente quando o acesso a todas essas coisas for possível, é que acontecerá a inclusão de fato.
___

É interessante perceber que a pessoa com deficiência sempre se encontra à parte da sociedade, como se não fizesse parte dela apenas por causa de sua condição. No decorrer da história, foi-lhe dado o papel de excluído, abandonado. Quando o Cristianismo como religião oficial começa a crescer, ele passa a ser alguém defendido, mas não acolhido. Então ele é mandado para uma instituição que saiba como tratá-lo (e que o tire do meio da sociedade “normal”). Finalmente, surge o termo “inclusão” que em si sugere uma exclusão de fato. Se lidarmos com deficiência como alguém com limites (assim como todos) e dermos condições deste superar tais limitações através da acessibilidade, ele não precisará mais de pena e ajuda para ser acolhida, mas será alguém reconhecido dentro da sociedade porque já faz parte dela.


Dia 22-08 -- Foi realizada uma programação com o CBB Missão e o CBB Música, para organizar e ensaiar um dia especial com os alunos da APAE de São Bento do Sul. Este encontro com os alunos da APAE será realizado no dia 29 de setembro, nas dependências da FLT.

Tendo como tema “Alegria”, queremos proporcionar para os alunos um espaço de diálogo, música, passeio pelo arraial, apresentação de teatro e um ótimo momento de descontração e comunhão.

Faculdade Luterana de Teologia - FLT
Rua Wally Malschitzki, 164 - Mato Preto
São Bento do Sul - SC - CEP 89285-295