​Ministras do Sínodo Norte Catarinense e FLT promoveram diálogo sobre “justiça de gênero”

Manter diálogos sobre assuntos controversos e polemizados dentro da igreja cristã, sem promover polarizações desnecessárias, mas buscando alternativas em busca de consenso, sempre é um desafio. E esse desafio é ainda maior e muito difícil e tenso, à medida que se traz consigo o princípio ético e a intenção de falar de modo transparente, verdadeiro, autêntico, sentido plena liberdade de expressar sua opinião, e tendo plena liberdade de respeitar a opinião de quem pensa diferente. Sim, quando não se pretende ser falso, “esconder o jogo”, enrolar as pessoas que são parceiras de diálogo, mas ser honesto, autêntico, mantendo uma postura de respeito e amor.
Em tal espírito de diálogo verdadeiro, honesto e sincero, embora que tenso, registramos com muita alegria e satisfação que as Ministras do Sínodo Norte Catarinense promoveram, em conjunto com a FLT, um primeiro diálogo sobre um tema em que há diferentes opiniões dentro da igreja luterana: “justiça de gênero”. Tal diálogo ocorreu no dia 9 de novembro de 2016, nas dependências do auditório da FLT, e no contexto de uma Conferência de Ministras e Ministros do Sínodo Norte Catarinense. Estiveram presentes, além de Ministros e Ministras do Sínodo, estudantes e professores de teologia da FLT e pessoas interessadas de outros Sínodos da IECLB, obreiros da MEUC e membros de comunidades próximas. Uma presença ilustre no evento foi a da Pa. Carmen Siegle, Coordenadora da Coordenação de Gênero, Gerações e Etnias da IECLB.
O evento teve sua origem numa correspondência das Ministras do Sínodo Norte Catarinense à Direção da FLT, enviada no dia 13 de abril de 2016, na qual questionavam o fato de docentes da FLT terem utilizado a expressão “ideologias de gênero” em palestras sobre o tema gênero em determinados eventos (em anexo). Em resposta, a Direção da FLT enviou, no dia 24 de maio, um “Convite ao diálogo sobre ‘perspectiva de gênero’ com docentes e estudantes da FLT” (em anexo). Por fim, no dia 18 de agosto as Ministras enviaram carta convidando Ministro/as do Sínodo Norte Catarinense, estudantes e professores de teologia da FLT para um “Diálogo sobre justiça de gênero na IECLB”, no contexto de uma Conferência Ministerial do Sínodo.
O evento propriamente dito foi aberto as 8h30min, com palavras de acolhimento e saudação do P. Sin. Inácio Lemke, que também é 1º Vice-Presidente da IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, e do Prof. Dr. Claus Schwambach, Diretor Geral da FLT – Faculdade Luterana de Teologia. Em seguida, a Pa. Cristina Scherer dirigiu um momento devocional, no qual interpretou vários textos bíblicos que apontam para a necessidade premente de a igreja se empenhar pela justiça de gênero. O Prof. Dr. Claus Schwambach apresentou, então, sua palestra, que apresenta a reflexão do assunto sobre o ponto de vista da FLT. E a Profa. Pós-Dra. Ivoni Richter Reimer apresentou a reflexão do assunto sobre o ponto de vista da teologia feminista. Seguiu-se o diálogo sobre o assunto, moderado pelo P. Dr. Leandro Hofstaetter e pela Pa. Cristina Scherer, que foi caracterizado por ousadia e bastante transparência nas perguntas e declarações de ambas as partes, diálogo esse que abriu a possibilidade que todos os presentes expressassem suas opiniões e questionamentos. Ao final, o P. Sinodal e Vice-Presidente da IECLB, Inácio Lemke, agradeceu a todos pela participação e enalteceu a disposição das partes envolvidas ao diálogo, ressaltando o quanto isso é importante para a igreja.
Em breve entrevista após o evento, o Prof. Dr. Claus Schwambach afirmou que esse evento “representou um marco do diálogo nas relações entre uma instituição de formação teológica e uma corrente do pensamento teológico na igreja, como a teologia feminista, representada por algumas Ministras do Sínodo”. Schwambach entende que, “a academia tem justamente a tarefa de proporcionar diálogos e que, hoje em dia, é muito difícil que pessoas ou instituições estejam dispostos a expor-se e a expor suas posições, principalmente num diálogo aberto e público entre posições realmente diferentes, considerando a presença de lideranças eclesiásticas”. Por isso, a “iniciativa das Ministras em expressar suas inquietações sobre o tema da justiça de gênero é mais do que louvável, e a disposição de ambas as tendências de pensamento em arriscarem um diálogo, igualmente, pois ambos saem fortalecidos, ao darem mostras públicas de sua abertura e disposição ao diálogo respeitoso, em busca de soluções e alternativas para perguntas que dizem respeito a toda a igreja em seu testemunho público. E na medida em que há no seio da igreja mais visões e proposições sobre um assunto, é importante que se cultive o diálogo entre irmãs e irmãos em Cristo”. Schwambach, por fim, manifestou o desejo de que “mais eventos e diálogos desse tipo pudessem acontecer no futuro, pois proporcionam muito aprendizado para todos os diretamente envolvidos e para os que participam, e serve de incentivo e exemplo para o desenvolvimento de uma cultura saudável de diálogo crítico e construtivo para toda a igreja, por mais tensos e complexos que sejam”.

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